Navegando por Autor "Alcântara, Paulo Augusto Franco de"
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Artigo Científico Fontes, documentos e arquivos na fronteira entre Antropologia, História e outros saberes(2023) Cardoso, Antonio Alexandre Isidio; Tambascia, Christiano Key; Nadai, Larissa; Ariza, Marília B. A.; Alcântara, Paulo Augusto Franco deNas últimas décadas, muito tem se produzido sobre as relações, fricções e tensões entre os fazeres antropológicos e historiográficos. Tal atenção tem sido ainda mais evidente diante de indagações críticas sobre os regimes e usos de fontes, documentos e arquivos. Denominada muitas vezes por codinomes como “antropologia histórica” e/ou “história cultural”, as fronteiras que conformam Antropologia, História e sua articulação com outros saberes têm, por muitos de nós, sido intencionalmente transgredidas, borradas e esmaecidas. Este dossiê, “Fontes, documentos e arquivos na fronteira entre Antropologia, História e outros saberes” demonstra tais esforços de insubmissão e convergência a partir dos mais variados campos empíricos - documentos administrativos, “causos populares”, documentos acadêmicos, memórias orais, etc. Os artigos aqui reunidos e organizados, neste sentido, não só desafiam àquilo que restou registrado em fontes e arquivos, como também lançam luz aos esforços de produzir outros arquivos e/ou disputar as verdades neles contidas sobre um passado histórico a ser contestado e posto sob escrutínio.Artigo Científico Máquinas e maquinações: as reconfigurações do trabalho familiar no Caparaó cafeeiro, Minas Gerais (2016-2018)(2022) Alcântara, Paulo Augusto Franco deNas duas últimas décadas, na América Latina, a noção de “agricultura familiar” expandiu-se e tornou-se referencial político e econômico no enfrentamento de problemas referentes à reprodução de pequenos campesinatos cuja produção é ancorada, muito ou exclusivamente, na mão-de-obra familiar. No Brasil, em especial, a agricultura familiar enquanto política de intervenção do Estado ganhou relevo por meio do Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf), voltado a oferta de crédito subsidiado setorial, criado em 1995 e expandido a partir de 2003. Diante desse contexto, procuro compreender etnograficamente as mudanças vividas, nos planos da concepção e da gestão cotidiana do trabalho, por pequenos agricultores e agricultoras familiares, habitantes de uma comunidade cafeeira do município de Espera Feliz, com os quais vivi no curso de quase três anos de trabalho de campo. Detenho atenção especial às relações entre o aumento das lavouras individuais e a aquisição crescente de máquinas agrícolas, fatores que estariam colaborando para um processo de individualização e competição no trabalho e gerando, assim, debates e tensões em torno da própria caracterização, em contexto, da agricultura familiar nas suas relações com o mercado (capitalista).Artigo Científico Os gestos da escrita nos diários de Raymundo Faoro (Porto Alegre, 1943-1946)(2022) Alcântara, Paulo Augusto Franco deRaymundo Faoro (1925-2003), jurista, historiador e escritor brasileiro, é considerado um dos principais intérpretes da sociedade brasileira no século XX. Entre 1943 e 1952, dos 18 aos 26 anos de idade, quando cursava a Faculdade de Direito em Porto Alegre, ele escreveu 20 volumes de diários, totalizando, aproximadamente, 6.800 páginas manuscritas cujo conteúdo esteve, até então, inédito. O objetivo deste artigo é lançar luzes a uma parte do processo de construção desses documentos, descrevendo e analisando a escrita cotidiana de seu autor. Concebendo a escrita enquanto prática, buscarei, etnograficamente, pelos gestos, isto é, pelas ações que, repletas de experiências, motivações e significados, teriam presidido o curso dessa escrita sempre em relação com o contexto da época. Ao deter-me nos 3 primeiros volumes dos diários (1943 – 1946), concentrarei as descrições no período em que o autor experimenta os seus primeiros anos vivendo em Porto Alegre. Argumento que, mais do que apresentar aspectos inéditos sobre a formação de Faoro, os diários revelam aspectos relevantes sobre a cultura e a sociedade da época, fornecendo pistas sobre os requisitos de ingresso em trajetórias intelectuais na Porto Alegre e no Brasil dos meados do século XX. Além de uma contribuição aos estudos dos diários enquanto gêneros literários e intelectuais, lanço reflexões ao terreno da antropologia histórica sobre a escrita.