Teses de Doutorado

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    Tese
    Essays on Monetary Economics
    (2025) Kudamatsu, Robison Francisco
    Esta tese é composta por três capítulos. No primeiro capítulo, revisitamos o programa de estabilização Plano Real de 1994, que colocou um fim no período de hiperinflação no Brasil. Esse episódio histórico teve como característica o lançamento de uma moeda virtual, a unidade real de valor (URV), que teoricamente teria quebrado a inércia inflacionária e ao mesmo tempo sincronizado os reajustes de preços na economia. Em nossa análise, utilizamos microdados do índice de preços ao consumidor da FIPE para documentar estatísticas de preços ao longo do processo de estabilização. Os nossos resultados reforçam que o Plano Real alterou as características de precificação no país. Há evidências de que os reajustes de preços se tornaram menos frequentes, menores e mais sincronizados, enquanto a distribuição de reajustes de preços se tornou mais simétrica e concentrada em torno de zero, porém somente após a introdução da nova unidade monetária, o real. Assim, não encontramos evidências decisivas de mudança no processo de formação de preços durante o período da URV. No segundo capítulo, complementamos o estudo do programa de estabilização Plano Real de 1994 à luz de um modelo de custos de menu com regras de preços dependentes do estado. Dadas as estatísticas de preços calculadas com microdados do índice de preços ao consumidor da FIPE e as evidências de mudanças no processo de formação de preços somente após a introdução da nova unidade monetária, calibra-se um modelo de custos de menu com o objetivo de ilustrar a dinâmica de precificação ao longo do processo de estabilização. Dessa maneira, a nossa análise traz uma base teórica para caracterizar esse período de transição econômica do Plano Real, que culminou no fim da hiperinflação no Brasil. Em especial, é surpreendente a ausência de alterações significativas durante o período da URV apesar de incentivos teóricos para uma conversão de preços em URV em detrimento da moeda oficial. No terceiro capítulo, avaliamos o impacto de choques de política monetária de alta frequência nos preços de ativos financeiros no Brasil. Primeiro, construímos uma ampla base de dados com informações sobre anúncios de política monetária, que inclui não somente as decisões do COPOM e as respectivas atas das reuniões, mas principalmente as participações de autoridades do Banco Central do Brasil (BCB) em diferentes eventos. Há evidências de que as decisões do COPOM e os discursos de autoridades exercem uma influência considerável nos ativos financeiros em comparação com outras fontes de choques monetários. Segundo, utilizamos um modelo de vetor autorregressivo estrutural (SVAR) com identificação por heterocedasticidade, sob a hipótese de que períodos com eventos monetários são relativamente mais voláteis do que períodos sem tais eventos, para obtermos séries de choques de política monetária. Com isso, estimamos funções impulso-resposta por meio de projeções locais (LPs). Os nossos resultados mostram que os choques monetários têm impacto significativo e persistente nos preços de ativos analisados. Além disso, a transmissão desses choques é fortemente condicionada pela postura da política monetária, com efeitos mais duradouros durante os ciclos de alta de juros. Por fim, os choques de aperto monetário que identificamos também afetam indicadores macroeconômicos, reduzindo a inflação em horizontes médios, ao mesmo tempo em que impõem custos relativamente pequenos sobre o produto.