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A relação entre a cultura de disputa de masculinidade e as preocupações sobre liderança
(2025) Hagui, Juliana Gaiguer
Dois temas tem sido objeto de investigações: a falta de interesse dos indivíduos por cargos de liderança e contextos organizacionais disfuncionais, que impactam negativamente o bem-estar dos funcionários e, consequentemente, a produtividade das empresas. Diante desta conjuntura, este estudo busca investigar se o contexto de cultura de disputa de masculinidade pode contribuir para as preocupações dos indivíduos sobre liderança. Além disso, pretendemos examinar o papel de variáveis individuais que podem atenuar ou intensificar essa relação, utilizando três moderadores: amabilidade, estabilidade emocional e mindset sobre estresse. Para testar as hipóteses formuladas, conduzimos um experimento com uma amostra de 213 respondentes. Os resultados indicam uma relação entre a cultura de disputa de masculinidade e as preocupações sobre liderança, demonstrando que contextos competitivos podem desencorajar o interesse pela liderança. Este estudo também revela que o traço de amabilidade intensifica a relação entre a cultura de disputa de masculinidade e a dimensão de preocupações sobre causar danos a outras pessoas, uma das componentes do constructo de preocupações sobre a liderança. Este achado sugere que indivíduos com alta amabilidade podem perceber culturas competitivas como mais ameaçadores, uma vez que valorizam a harmonia interpessoal, mas atuam em contextos que podem demandar ações potencialmente prejudiciais a terceiros. No entanto, não foi encontrado suporte empírico para os demais moderadores, estabilidade emocional e mindset sobre estresse. Ainda assim, este estudo contribui para a literatura, aprofundando a compreensão quanto às preocupações sobre liderança, evidenciando um novo antecedente e explorando um efeito moderador ainda não estudado. No âmbito prático, os resultados destacam a importância da cultura organizacional na formação de novos líderes, sugerindo que ambientes excessivamente competitivos podem impactar negativamente o processo de sucessão de liderança, ao desestimular potenciais líderes.
Vedação de condenação de partidos que não destinaram verbas a candidaturas femininas antes de 2022: análise da constitucionalidade da EC 117/2022
(2025) Rodrigues, Giulia Beatriz Brombine Alves
Este trabalho analisa a constitucionalidade dos artigos 2º e 3º da Emenda Constitucional nº 117/2022 sob a perspectiva do direito fundamental à igualdade de gênero, questionando se a vedação à condenação, pela Justiça Eleitoral, e a aplicação de sanções de qualquer natureza a partidos políticos que descumpriram regras de destinação mínima de recursos a candidaturas femininas até antes da data de promulgação da emenda configura emenda "tendente a abolir" a garantia prevista no art. 5º, I da Constituição Federal, protegida como cláusula pétrea pelo art. 60, §4º, IV. A pesquisa adota abordagem qualitativa, de caráter teórico-argumentativo, articulando três dimensões complementares: teorias feministas sobre sub-representação política de mulheres e seu impacto na igualdade material (Nancy Fraser, Flávia Biroli e Marlise Matos); estudos empíricos sobre a correlação entre financiamento de campanha e sucesso eleitoral feminino (Teresa Sacchet, Lígia Fabris); e dogmática constitucional sobre cláusulas pétreas e controle de constitucionalidade de emendas. A metodologia inclui revisão sistemática de literatura, análise do arcabouço normativo eleitoral brasileiro, reconstrução histórica das políticas de ações afirmativas relativas ao financiamento de campanhas (1995-2024) e exame jurisprudencial de Ações Diretas de Inconstitucionalidade julgadas pelo Supremo Tribunal Federal que questionaram emendas constitucionais por violação a direitos e garantias individuais especificamente quanto a direitos políticos. A análise demonstra que, embora a EC 117/2022 constitucionalize a destinação mínima de 30% dos recursos públicos de campanha às candidaturas femininas (art. 1º), seus artigos 2º e 3º estabelecem anistia que neutraliza a exigibilidade dessa norma para descumprimentos anteriores a 2022, ainda que isso já fosse exigido por lei e confirmado pelo STF, desfinanciando materialmente as campanhas de mulheres e relativizando a importância do financiamento de campanhas femininas, direito que já havia sido adquirido por lei e que visava à igualdade material de gênero. Aplicando os parâmetros interpretativos consolidados pelo STF — especialmente na ADI 5617, que considerou o subfinanciamento de campanhas femininas como violação à igualdade — conclui-se que a anistia configura proteção insuficiente que compromete o núcleo essencial do direito à igualdade de gênero, caracterizando emenda tendente a abolir cláusula pétrea. A EC 117/2022 opera como "ato desconstituinte" que, sob aparência de constitucionalização de direitos, esvazia sistematicamente sua efetividade, institucionalizando padrão de impunidade incompatível com a Constituição de 1988.
Diversidade Cognitiva e a Performance de Núcleos de Inovação Tecnológica
(2025) Milena,Rodrigo Sammarco
As universidades têm adquirido crescente relevância na produção de conhecimento,
especialmente ao fortalecerem sua atuação na terceira missão, que se concentra na transferência
de tecnologia para promover o desenvolvimento social, econômico e tecnológico das
sociedades em que estão inseridas. Nesse contexto, os Núcleos de Inovação Tecnológica (NIT),
unidades responsáveis pela gestão da propriedade intelectual (PI) e pela transferência de
tecnologia em instituições científicas e tecnológicas, desempenham um papel crucial como
intermediários entre a academia e o mercado. Assim sendo, este estudo teve como objetivo
analisar como a diversidade cognitiva das equipes dos NIT, que reflete as diferentes
perspectivas e abordagens individuais para resolver problemas, afeta seu desempenho.
Ademais, o estudo investigou de que forma a orientação institucional das universidades, sejam
elas públicas ou privadas, influenciou a relação entre diversidade cognitiva e desempenho dos
NIT. Para isso, foi realizada uma pesquisa quantitativa, utilizando dados secundários da
Pesquisa FORTEC de Inovação (2017–2020) e a técnica de regressão de Poisson com pseudomáxima
verossimilhança (PPML), com efeitos fixos para ano e região As hipóteses
apresentadas propuseram que a diversidade cognitiva aumenta o desempenho das equipes dos
NIT – refletido no número de patentes depositadas e na quantidade de acordos de licenciamento
– e que a orientação privada das instituições intensifica a relação positiva entre esse tipo de
diversidade e o desempenho. Os resultados corroboraram parcialmente essas hipóteses,
oferecendo contribuições significativas tanto para a teoria quanto para a prática. Além de
enriquecer a literatura sobre diversidade cognitiva e performance em equipes, os achados
proporcionam insights práticos para a composição de equipes, auxiliando gestores na formação
de times de alta performance em um contexto de crescente globalização.
PIX como catalisador para a Redução do Spread Bancário: Um Estudo sobre os Impactos no Mercado de Empréstimos Pessoal Não Consignados no Brasil
(2025) Brandino, Luis Carlos Schunck
O elevado custo do crédito no Brasil, impulsionado por spreads bancários persistentes e pela concentração do setor financeiro, representa um desafio relevante para consumidores e formuladores de políticas públicas. Iniciativas como a portabilidade de crédito têm buscado mitigar esse problema, mas com alcance limitado, especialmente no segmento de crédito pessoal não consignado.
Neste contexto, o lançamento do PIX em 2020 surge como uma estratégia potencial para intensificar a concorrência bancária e reduzir os custos de mudança entre instituições financeiras.
Este estudo investiga o impacto do PIX sobre a competitividade no mercado de crédito pessoal não consignado, com ênfase nos efeitos sobre a concentração bancária e os spreads. Utilizando modelos de Diferença-em-Diferenças (Dif-in-Dif) e dados do Banco Central do Brasil, a análise sugere que o PIX contribuiu para a redução da concentração (medida pelo índice HHI) e, de forma indireta, para a diminuição das taxas de juros.
Desta forma, reforçando a importância de políticas públicas que promovam maior concorrência como mecanismo de aprimoramento das condições de crédito no país.



